quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Papa a crianças autistas: como as flores, cada um de nós é belo aos olhos de Deus

 

A delegação do Centro para o Autismo “Sonnenschein”, que na tradução literal significa “Brilho do Sol”, veio da Áustria para encontrar o Papa Francisco nesta segunda-feira (21). O Pontífice, ao se dirigir ao grupo no Vaticano, também encoraja entidades no mundo inteiro empenhadas em cuidar de crianças autistas, que têm "uma beleza única aos olhos de Deus”: “tudo o que vocês fizeram a um só destes pequenos, vocês fizeram a Jesus!”.



“Sejam bem-vindos aqui no Vaticano. Estou feliz em ver o rosto de vocês e leio nos seus olhos que também vocês estão felizes em estar um pouco comigo.”

Assim começou a semana cheia de esperança do Papa Francisco ao receber, no Vaticano, um grupo de crianças, pais e colaboradores provenientes do Centro para o Autismo “Sonnenschein”, da Áustria, que na tradução literal significa “Brilho do Sol”. Na saudação aos pequenos, durante o encontro desta segunda-feira (21), o próprio Pontífice procurou descrever o nome da estrutura:

“Posso imaginar porque os responsáveis escolheram esse nome. Porque a casa de vocês parece um magnífico gramado florido sob o brilho do sol, e as flores desta casa são exatamente vocês! Deus criou o mundo com uma grande variedade de flores, de todas as cores. Cada flor tem sua beleza, que é única. Cada um de nós também é belo aos olhos de Deus, e Ele nos ama. Isso nos faz sentir a necessidade de dizer a Deus: obrigado! Obrigado pelo dom da vida, obrigado por todas as criaturas! Obrigado pela mamãe e papai! Obrigado pelas nossas famílias! E obrigado também por nossos amigos do Centro ‘Sonnenschein’!”

Dizer “obrigado” a Deus, motivou o Papa às crianças, é uma bonita oração, porque Ele gosta dessa forma de rezar. O Pontífice, então, também sugeriu de fazer uma pequena pergunta a Deus:

“Por exemplo: Bom Jesus, poderia ajudar a mamãe e o papai no trabalho deles? Você poderia dar um pouco de conforto à avó que está doente? Poderia dar às crianças de todo o mundo que não têm o que comer? Ou ainda: Jesus, por favor, ajuda o Papa a conduzir bem a Igreja. Se vocês pedirem com fé, o Senhor certamente vai ouvir vocês.”

O autismo no Brasil e no mundo
O Centro para o Autismo “Brilho do Sol” oferece uma gama de atividades terapêuticas com uma equipe de tratamento interdisciplinar formada por médicos, psicólogos, fonoaudiólogos, educadores para necessidades especiais, terapeutas ocupacionais e da música. Assim como a estrutura austríaca, o Brasil também conta com entidades voltadas à atenção das pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) que oferecem um trabalho direcionado com profissionais especializados na área. A Associação Brasileira de Autismo (ABRA) é quem representa nacionalmente as associações e, no site oficial, oferece um elenco atualizado com as afiliadas, distribuídas por localidade.

De acordo com a associação, estima-se que no Brasil existam cerca de 2 milhões de autistas. No mundo, uma em cada 160 crianças tem o TEA e, com base em estudos epidemiológicos realizados nos últimos 50 anos, a prevalência parece estar aumentando globalmente. Embora o transtorno tenha sido identificado há muitos anos, a causa exata do desenvolvimento do autismo – caracterizado por desvios na interação social, comunicação e utilização da imaginação – ainda não foi descoberta, mas estudos indicam que está ligada a questões genéticas e ambientais. O TEA, segundo a Organização Pari-Americana da Saúde (OPAS), começa na infância e tende a persistir na adolescência e na idade adulta.
As crianças autistas e Jesus

O Papa Francisco, ao se despedir do grupo de crianças e adolescentes autistas da Áustria, com as bênçãos de Jesus e a proteção de Nossa Senhora, concluiu o encontro no Vaticano com um agradecimento que também se estende às diversas realidades mundiais:

“Obrigado por essa bela iniciativa e pelo compromisso em benefício dos pequenos que lhes foram confiados. Tudo o que vocês fizeram a um só destes pequenos, vocês fizeram a Jesus!”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2020-09/papa-francisco-criancas-adolescentes-autista-austria-vaticano.html

terça-feira, 5 de maio de 2020

‘Os surdos têm confiança na solicitude de Deus que os faz seguir adiante’

As paróquias da Arquidiocese do Rio de Janeiro onde existe a Pastoral do Surdo, por meio de seus agentes surdos e intérpretes, desde o início da pandemia e, por sua vez, do distanciamento social, vêm mantendo a dinâmica de evangelização e do “encontro” com a fé, com Deus.

Segundo a intérprete da Basílica Imaculado Coração de Maria, no Méier, Margareth Maria Lessa Gonçalves, que também faz parte da equipe de Coordenação dos Intérpretes do Regional Leste 1, estão sendo realizadas transmissões pelo Facebook ou Youtube de missas com a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e elaborados vídeos da liturgia diária e de catequese incorporada à realidade da pandemia e da reza do terço.

“Além da evangelização, os intérpretes têm se esforçado também para atender os surdos no esclarecimento das informações sobre a situação da transmissão e da evolução dos casos de Covid-19, os cuidados com as fake news e ainda sobre os decretos e normas vigentes publicados pelas autoridades sanitárias”, disse.

Uma das paróquias que tem transmitido a missa dominical com a interpretação por meio de Libras é a Paróquia São Francisco Xavier, na Tijuca. A Basílica Imaculado Coração de Maria, no Méier, chegou a transmitir o Tríduo Pascal com o mesmo tipo de interpretação.

De acordo com Margareth Gonçalves, outro modo utilizado foi a interpretação posterior da missa, não ao vivo, na qual o intérprete traduz enquanto assiste a missa e grava em vídeo. Esse recurso em vídeo repassado aos surdos foi usado por um dos intérpretes da Paróquia Bom Jesus da Penha, na Penha.

“Chama a atenção a mobilização dos próprios surdos para sentirem-se unidos em oração, livres do desânimo, para dar testemunho e mostrar a fé que amam e abraçam”, disse.

Margareth Gonçalves acrescentou que os intérpretes têm ajudado na tradução, e podem até participar junto, mas as atividades como catequese, a reza do terço e o estudo e leitura da liturgia têm acontecido por iniciativa e manifestação dos próprios surdos.

Os coordenadores surdos têm ainda motivado seus grupos à participação diária e à disponibilização de links, desde orações, missas ou celebrações do Papa Francisco e de Dom Orani.

“Os surdos estão antenados com toda a Igreja, mesmo quando não há certeza de que haverá interpretação em Libras. Nem todas as celebrações ou eventos transmitidos pelas TVs católicas, apresentam tradução em Libras ou legendas em português. Tudo isso não foi motivo de desestímulo, mas fez os surdos buscarem soluções junto aos intérpretes da pastoral”, disse.

Na opinião de Margareth Gonçalves, esse é o outro lado da quarentena. As dificuldades que vieram com as condições impostas pela pandemia elevaram em mais um nível o isolamento social já vivido há muito tempo.

“Pessoas com deficiência, não só os surdos, já convivem com os efeitos da escassez de recursos e de acessibilidade. Mas, sendo conscientes das dificuldades que excluem, também confiam na graça de Deus que acolhe e propicia alternativas, nas quais acaba gerando solidariedade”, afirmou.
Outro exemplo é o uso obrigatório de máscaras praticado de forma correta pelos surdos, mas que incorpora um empecilho adicional à comunicação já precária com os ouvintes, pois não permite a leitura labial.

“Eles tiveram a ideia de carregar um papel onde gentilmente explicam ser surdos, entendem e aceitam o uso da máscara e pedem para quem precisar falar com eles baixar a máscara ou escrever. Foi o reflexo de quem vive na pele o problema, já que alguns surdos não foram dispensados de seus trabalhos e precisam circular pelas ruas”, enfatizou.

Margareth Gonçalves destacou que toda essa situação está sendo difícil para os surdos, mas certamente eles irão se adaptar a mais essa realidade.

“Os surdos têm confiança na solicitude de Deus que os faz seguir adiante. O Senhor guarda seus filhos e os inspira à presteza. Os surdos conquistam seu espaço social a cada dia, devagar, mas instigados, e aprenderam a seguir adiante, com força e fé”, concluiu.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Diocese de Santo André (SP) inclui pessoas com deficiência visual com folheto litúrgico em braile

Desde o dia 29 de janeiro deste ano, a diocese de Santo André (SP), que compreende toda a região do grande ABC no sudeste do estado de São Paulo, apresenta uma inovação voltada para pessoas com deficiência visual: criação de uma versão em Braile do folheto ABC litúrgico, que existe há 40 anos.
Segundo o bispo da diocese, dom Pedro Carlos Cipollini, e também presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a iniciativa surgiu como um apelo do oitavo Plano de Pastoral de Santo André que está baseado nos dois trilhos acolhida e missão, caminho apontado pelo 1º Sínodo da diocese, realizado de 2016 a 2017.
“Esta iniciativa vem colocar em prática este nosso plano de pastoral de incluir a todos. Que possamos ter este sonho missionário de chegar a todos. Deus abençoe a Pastoral da Inclusão em nossa diocese, todas as pessoas envolvidas e todos que vão usar este folheto”, disse.
O folheto em braile, que está sendo distribuídos às 106 paróquias da diocese, foi desenvolvido pelo Setor de Inclusão da diocese de Santo André. De acordo com o padre Claudio Pereira dos Santos, assessor diocesano do Setor Inclusão, o propósito do projeto é que a pessoa com deficiência visual sinta-se acolhida e integrada em sua comunidade.
O padre informou que o Setor Inclusão está preparando com todo carinho esse material para que chegue ao maior número possível de pessoas. “Ajudem-nos a divulgar em todas as 106 paróquias e inúmeras comunidades mais essa boa notícia em nossa diocese. Que Deus nos abençoe e nos conduza nesta linda missão”, comenta o padre, afirmando que a iniciativa é pioneira no Brasil.



Para adquirir o folheto
Para ter o folheto em mãos, a encomenda do ABC Litúrgico em Braille deve ser feita por meio do Centro Diocesano de Pastoral, pelo e-mail: centropastoral@diocesesa.org.br, WhatsApp: (11) 99981-1233, ou pelo telefone: (11) 4469-2077.


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O Papa: dar dignidade e participação às pessoas com deficiências

Mensagem do Papa Francisco por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiências. 
O Papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiências comemorado nesta terça-feira, 3 de dezembro. 
Ouça e compartilhe! 
Francisco inicia sua mensagem convidando a “renovar o nosso olhar de fé que vê em cada irmão ou irmã a presença do próprio Cristo”. 

Tornar o mundo mais humano 
Embora tenham sido feitos grandes progressos no âmbito médico e assistencial, recorda o Papa, “ainda hoje se constata a presença da cultura do descarte e muitos deles sentem que existem sem pertencer e sem participar”. E para tutelar os direitos das pessoas com deficiências e suas famílias devemos “tornar o mundo mais humano removendo tudo o que lhes impede de viver uma cidadania plena, e os obstáculos do preconceito, favorecendo a acessibilidade aos lugares e a qualidade de vida, considerando todas as dimensões do homem”. 

Ungir-lhes de dignidade 
Francisco reitera que para cuidar das pessoas com deficiências temos que principalmente “caminhar juntos e ungir-lhes de dignidade para uma participação ativa na comunidade civil e eclesial". 
Em seguida o Papa recordou dos “exilados ocultos”, que vivem em nossas casas, famílias e sociedade. “Penso em pessoas de todas as idades, principalmente idosos, que por alguma deficiência, algumas vezes sentem-se um peso, uma ‘presença incômoda’". E mais uma vez o Pontífice exorta todos a “reconhecer a dignidade de cada um sabendo que para isso não depende a funcionalidade dos cinco sentidos”. 
“Precisamos criar anticorpos contra uma cultura que considera vidas de série A e outras de série B: isso é pecado social!” 
E pondera: “De fato fazer boas leis e derrubar as barreiras físicas é importante, mas não suficiente, se não for mudada a mentalidade, se não se supera a cultura que causa desigualdades, impedindo às pessoas com deficiência a participação ativa na vida diária”. 
Conclui afirmando que “uma pessoa com deficiência, para se construir, precisa não apenas existir, mas também pertencer a uma comunidade”. 



terça-feira, 12 de novembro de 2019

Morre Jean Vanier, fundador d'A Arca, mas deixa 10 regras para a vida

O fundador d’A Arca, Jean Vanier, uma comunidade residencial que junta voluntários e pessoas com deficiência, faleceu na noite desta terça-feira (7), aos 90 anos, segundo informação do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência.
“É com tristeza mas ancorados na esperança da vida eterna que partilhamos que Jean Vanier partiu para os braços de Deus. Que Deus o acolha tal como ele acolheu tantos e tantas, principalmente os mais frágeis”, pode ler-se num comunicado enviado à Agência Ecclesia.
Jean Vanier foi também responsável pela criação do movimento ‘Fé e Luz’, que procura integrar pessoas com deficiência e os seus amigos nas comunidades eclesiais, estando presente em 82 países, incluindo Portugal.
Filósofo, teólogo e humanitário canadense, Jean Vanier nasceu em 1928; autor de vários livros sobre religião, deficiência, normalidade, sucesso e tolerância, recebeu em 2015 o Prêmio Templeton, considerado como o prêmio Nobel da espiritualidade.
“Ficamos com o seu legado através das inúmeras publicações que fez, algumas traduzidas para português, e com a responsabilidade de mostrar ao mundo que é na nossa miséria que encontramos o amor de Deus e que as pessoas com deficiência ajudam a encontrá-Lo”, refere a nota.
No início do mês Jean Vanier deu entrada numa comunidade d’A Arca, próxima de Paris, em França, afirmando estar “profundamente em paz e cheio de confiança”.
“O meu corpo está fraco, já não me posso levantar e por isso passo o meu tempo todo deitado e faço exercícios com as minhas pernas. Ainda tenho dificuldade em falar, mas penso que isso se pode resolver. Não tenho a certeza do que vai ser o futuro, mas Deus é bom e seja o que for que acontecer, será o melhor”, afirmou a colaboradores próximos.
O Serviço Pastoral lembra a mensagem de “beleza e do grande valor das pessoas com deficiência” que Jean Vanier deixou.
“Lembrou-nos que temos não só que respeitar mas aprender com os mais frágeis, os pequeninos de Deus. Teve uma vida longa e muito bonita ao serviço de Deus e da Igreja”.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Formação para Catequistas da Catequese Especial

A formação aconteceu na paróquia São Pedro Apóstolo (Vicariato Suburbano), com as Coordenadoras da Catequese Especial, Rosali Villa Real da Costa Bastos e Maria de Fátima Lopes Martins.

A parte da manhã foi de formação teórica e a prática, encontros de Catequese Especial. A parte da tarde foi toda desenvolvida com lindas oficinas divertidas e com dinâmicas das Sagradas Escrituras.


Tivemos a participação da Fonoaudióloga, Aline, da Professora de Educação Física, Elvira, a catequista da Crisma Jovem, Maiara, a Coordenadora da Catequese e Perseverança, Cristiane e a Catequista de Perseverança, Stela da Paróquia de São Benedito de Pilares como também o pároco, Pe. Jorge Lutz.


segunda-feira, 30 de setembro de 2019

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Pastoral dos Surdos completa 38 anos

A Pastoral dos Surdos da Arquidiocese do Rio de Janeiro está completando 38 anos de evangelização. Um grande encontro pelo aniversário será realizado no sábado, na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, no Largo da Carioca. Uma missa está marcada para às 10h, celebrada pelo padre Reynaldo Thadeu Gonçalves da Costa Segundo, e depois vai ter uma confraternização.




quarta-feira, 24 de abril de 2019

Papa Francisco telefonou para homem com paralisia cerebral

Na última segunda-feira de Páscoa, o Papa Francisco telefonou para um morador de Montilla, na província de Córdoba (Espanha), que sofre de paralisia cerebral.
Em 6 de abril, o Cardeal Beniamino Stella, Prefeito da Congregação para o Clero, visitou a Diocese de Córdoba por ocasião da abertura do Ano Jubilar de São João de Ávila. Durante esta visita, um homem de 47 anos lhe entregou uma carta que havia escrito para o Papa e lhe pediu que a entregasse ao Pontífice.
Segundo informa a Diocese de Córdoba, a carta explicava seu desejo de encontrar o Santo Padre, também como vive sua vida cristã, apesar de ter paralisia cerebral, e "como suas limitações não o impedem de ser conhecido em sua região como um homem entusiasta e comprometido com a Igreja Católica”.
Em resposta a esta carta, o Papa Francisco telefonou para ele na última segunda-feira de Páscoa, às 16h45. A ligação foi atendida pela mãe. Durante a conversa, o Pontífice lhe assegurou as suas orações e pediu também que rezasse por ele e pelo seu pontificado.
Embora o rapaz não possa falar por causa da paralisia cerebral, celebrou com gestos o telefonema e seus familiares asseguram que espera o momento de “poder ser abraçado pelo Papa”.


terça-feira, 2 de abril de 2019

Instituto Mauricio de Sousa lança tirinha inédita e vídeos para comemorar o Dia Mundial do Autismo

O objetivo é mostrar alguns sinais do Transtorno do Espectro do Autismo em crianças e chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce.

O Instituto Mauricio de Sousa (IMS) publicou hoje, 2 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, uma tirinha inédita com a participação da Turma da Mônica e o personagem autista André, criado especialmente para falar sobre o assunto. 
Dentro das ações relacionadas à data, o Instituto Mauricio de Sousa também lançará seis animações curtas (30 segundos cada) sobre o Transtorno do Espectro do Autismo.  Os filmes poderão ser vistos tanto nos canais oficiais do Instituto quanto no YouTube da Mauricio de Sousa Produções. O objetivo é mostrar alguns sinais do autismo em crianças e a importância de procurar orientação profissional o quanto antes para fazer o diagnóstico e iniciar o tratamento, pois quanto mais precocemente se iniciarem as intervenções, melhores as perspectivas de qualidade de vida para a pessoa.
O autismo ou Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caracterizado por alterações no desenvolvimento, causa déficit na comunicação, interação social e comportamento de crianças e adultos, e deve ser tratado por uma equipe multiprofissional de acordo com a necessidade específica de cada indivíduo, lembrando que há um grande espectro do autismo, ou seja, uma grande faixa de variação desses sinais. Entre alguns dos sintomas estão a falta de contato visual; o hábito de repetir frases ou palavras que ouviram de outras pessoas ou mesmo da TV (conhecida como ecolalia), interesse profundo restrito a um ou alguns assuntos específicos (hiperfoco), com os quais os autistas permanecem entretidos durante muito tempo. Em alguns casos, os autistas podem não falar, sendo não verbais.
“Quando criamos o personagem André, que é uma criança dentro do Transtorno do Espectro do Autismo, ouvimos vários especialistas no assunto, além de conhecer crianças dentro do espectro. O TEA não é fácil de ser identificado e por isso o tratamento pode vir tarde. Por isso, é preciso passar para os pais, professores e pessoas próximas a essas criancinhas a informação sobre os cuidados e busca de orientação para ajudá-las a desenvolverem todo seu potencial”, diz Mauricio de Sousa, pai da Turma da Mônica e presidente do Instituto Mauricio de Sousa.

Personagem André
Em 2001, o Instituto Mauricio de Sousa foi convidado por uma representante da Universidade de Harvard para desenvolver um projeto com o objetivo de alertar a população sobre os sintomas do Transtorno do Espectro do Autismo. Após meses de estudos nasceu André, um personagem autista para fazer parte da Turma da Mônica.
Com base nesse personagem, o Instituto Mauricio de Sousa criou a revista em quadrinhos “Um Amiguinho Diferente” e seis vinhetas de desenho animado, que alertam pais, familiares e professores para a importância do diagnóstico precoce e esclarecem o comportamento que deve ser adotado com a criança dentro do espectro do autismo. Já foram distribuídos 60 mil exemplares da publicação. As seis vinhetas informativas com o André acabam de ser atualizadas e serão divulgadas no canal do YouTube da MSP (Mauricio de Sousa Produções).
Recentemente, o Instituto Mauricio de Sousa firmou parceria conosco da Revista Autismo, publicação trimestral de distribuição gratuita, publicando um cartum com o personagem André para esclarecer sobre aspectos do transtorno. A revista pode ser solicitada pelos correios (pagando-se somente o frete), por meio do site www.RevistaAutismo.com.br.

Todas as crianças e adultos devem ser entendidas e acolhidas em sua diversidade. A inclusão das crianças dentro do espectro do autismo na escola, por exemplo, é um direito, e é positiva tanto para quem faz parte do transtorno quanto para as outras crianças, pois todas podem interagir e aprender com as diferenças. A mensagem de respeito às diferenças faz parte de todos os conteúdos com a Turma da Mônica.












sexta-feira, 22 de março de 2019

Papa Francisco recorda Dia Internacional da Síndrome de Down

Neste 21 de março, Dia Internacional da Síndrome de Down, o Papa Francisco recordou essas pessoas em uma publicação em sua conta no Twitter e expressou seu desejo de que "desde o ventre materno, sejam acolhidas, apreciadas e jamais descartadas".
Em 2011, a Assembleia Geral das Nações Unidas decidiu que o Dia Mundial da Síndrome de Down seja comemorado no dia 21 de março para gerar uma maior conscientização pública a favor das pessoas que têm a alteração que triplica o cromossomo número 21.
Além disso, a comemoração é para recordar "a dignidade inerente, o valor e as contribuições valiosas de pessoas com deficiência intelectual como promotores do bem-estar e da diversidade de suas comunidades".
O dia 21 de março foi escolhido como data para o Dia Internacional da Síndrome de Down, pois esta alteração triplica o cromossomo número 21.
A ONU indicou que a celebração de 2019 está centrada no tema: "Ninguém fica pra trás", pois todas as pessoas com síndrome de Down "devem ter a oportunidade de desfrutar de uma vida plena".
No entanto, a realidade é outra já que, em alguns países, se houver a detecção ou suspeita durante a gestação de que o feto tem Síndrome de Down, isso é um motivo suficiente para que a mãe tenha o direito a abortar, pois está dentro da condição considerada como “malformação fetal”.
Prova disso é que 100% das crianças diagnosticadas com esta síndrome na Islândia são abortadas. O mesmo acontece com 90% dos diagnosticados na Espanha e cerca de 80% nos Estados Unidos.
Esta síndrome foi descoberta pelo pesquisador John Langdon Down no ano de 1866, embora não soubesse as causas que a provocavam. Em 1958, o pesquisador Jérôme Lejeune identificou que era uma alteração cromossômica. Suas principais consequências são as deficiências cognitivas, embora tenha sido demonstrado que com a estimulação precoce esta pode ser significativamente reduzida.
Lejeune foi nomeado para o Prêmio Nobel, mas sua candidatura não foi adiante por causa de sua posição a favor da vida e contra o aborto de crianças com essa alteração genética. Este cientista francês foi nomeado pelo Papa João Paulo II membro da Pontifícia Academia para a Vida do Vaticano.
Jérôme Lejeune faleceu em 1994 e atualmente está em processo de beatificação.
A Fundação Jérôme Lejeune é dedicada à pesquisa, formação, cuidado e conscientização sobre a síndrome de Down e publicou um vídeo por ocasião deste Dia Internacional no qual afirma que "um diagnóstico não pode ser uma sentença de morte".

Fonte: https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-recorda-dia-internacional-da-sindrome-de-down-38751


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Iniciativas promovem catequese voltada para pessoas com deficiência em várias partes do Brasil

Nesta segunda-feira, é celebrado o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. A Igreja tem sido presença marcante no trabalho voltado a estas pessoas que, no Brasil, são mais de 45 milhões com algum tipo de deficiência. No âmbito da catequese, há uma atenção especial com iniciativas de formação e integração com a comunidade, em vista da preparação para os sacramentos.
Os bispos do Brasil garantem, no Diretório Nacional de Catequese, que as pessoas com deficiência têm o mesmo direito à catequese, à vida comunitária e sacramental que o restante da comunidade. As pistas de ação deste documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), bem como as indicações do Documento 107, “Iniciação à vida cristã: itinerário para formar discípulos missionários”, fundamentam iniciativas promovidas Brasil afora para uma catequese inclusiva.
Em Cascavel (PR), uma equipe de cerca de 10 pessoas está envolvida em um projeto arquidiocesano de Catequese Inclusiva, entendida como “o direito de toda pessoa com deficiência na participação da vida da Igreja e o dever da comunidade eclesial de envolver estes irmãos como sujeitos no processo de transmissão da fé”, explica Angelita da Cunha, que faz parte desta equipe de catequese inclusiva arquidiocesana. Ela ressalta o compromisso coletivo com envolvimento do clero, de catequistas, catequizandos, familiares e comunidade.
“A partir de uma profunda vivência espiritual da Palavra de Deus, fruto de sua oração e reflexão pessoal diária, e acrescida de todo o conhecimento sistematizado, o catequista estará apto a levar a catequese inclusiva para aqueles que até o momento estiveram ou estão à margem da catequese. A formação continuada e permanente dará suporte ao catequista, fortalecendo-o diante dos muitos desafios inerentes ao seu trabalho na sua paróquia”, comenta Angelita, reforçando o trabalho de formação para os catequistas em vista da atuação inclusiva.
A ação em Cascavel está em sintonia com a preocupação do regional Sul 2 da CNBB com a formação dos catequistas que atuam junto à pessoa com deficiência. Desde 2015 realiza-se, anualmente, um encontro formativo que conta com a participação de catequistas das mais diversas áreas e também alguns com deficiência, em sua maioria com deficiência auditiva.
A coordenadora regional da Animação Bíblico Catequética, Débora Regina Pupo, conta que os encontros no Paraná abordam temáticas como legislação, psicologia (conhecimento das várias deficiências), práticas catequéticas, desenvolvimento e partilha de materiais adaptados.
“Em 2017 iniciou-se uma experiência diferente: incluir um grupo de catequistas da catequese inclusiva na escola do regional. Esses catequistas foram indicados pelas dioceses para o início de um trabalho de organização da catequese inclusiva onde a mesma ainda não está organizada ou precisa ser fortalecida”, explica.
Neste ano, recorda, Débora, os catequistas pediram ajudam mais específica do regional na formação de catequistas, na organização da catequese inclusiva nas dioceses e com diretrizes para o trabalho. “Para 2019, temos previsto um novo encontro com os catequistas para traçar um plano de ação nos próximos anos”, revela.
Na arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ), há um serviço de “catequese especial” há cerca de 40 anos. Dentro do processo de iniciação cristã, é coordenado por Rosali Villa Real e Fátima Lopes Martins. Elas são responsáveis por 35 núcleos já instalados em paróquias da arquidiocese e pelo curso de capacitação, que acontece em dois períodos de três meses a cada ano. A Catequese Especial atende pessoas com deficiência cognitiva, com síndromes com comprometimento cognitivo e com transtornos mentais. Também está estruturada a Pastoral para Pessoas com Deficiência (PASPED) com outros trabalhos de evangelização neste campo. Há ainda uma colaboração da catequese especial com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines).

“A catequese especial existe para preparar os catequizandos para acompanhar este movimento se for o caso de inclusão”, explica Rosali. Ela chama atenção para o fato de que há muita gente que acha que a catequese especial se prepara como um “gueto”, no qual se separa as crianças e adolescentes com deficiência dos demais, mas não é bem assim. Para a coordenadora, é possível uma inclusão realmente verdadeira.
Para isso, deve ter uma preparação tanto da comunidade paroquial – “para receber, enxergar, acreditar, aceitar” – quanto do catequizando. “Temos caso de pessoas que mudam de banco quando percebem que tem um ‘especial’ do lado”, lamenta Rosali.
Este é um entre os vários desafios. Rosali conta que para muitos não é possível acompanhar a metodologia da catequese regular; em turmas com muitas crianças, sendo duas com algum tipo de deficiência, o catequista pode ter dificuldades de desempenhar o trabalho de forma satisfatória. Outro ponto é o “tempo de concentração”, que para as pessoas com deficiência é muito menor que na catequese regular.
Um dos desafios pode ter se tornado potencialidade no trabalho de catequese especial no Rio de Janeiro. Neste ano, o grupo conseguiu incluir na formação dos padres uma intervenção em relação à catequese especial. “Agora, é feita uma demonstração da catequese especial nos seminários. Nós temos um grande desafio de mostrar aos nossos sacerdotes a importância da catequese especial, espaços físicos acessíveis, salas reservadas”, enumera Rosali.

Iniciativa interessante foi realizada pela irmã Lúcia Imaculada, das Irmãs de Belém: “Ela dividiu os seminaristas que ela acompanha em grupos de 10 e fez com que eles visitassem as pastorais e todos os grupos visitaram a catequese especial, foi muito interessante, muito proveitoso”, comemora Rosali Vila Real.

Caminhos apontados pelos bispos
A Igreja reconhece em documentos catequéticos a necessidade de dar a devida atenção às pessoas com deficiências e fazer esforços para superar todo tipo de discriminação. Também é lembrada a presença destas pessoas nas comunidades, onde há os que se sentem chamados a trabalhar junto àqueles com deficiência, que também estão envolvidas nas atividades da catequese ou de pastorais.
Já em 2005, quando foi aprovado o Diretório Nacional de Catequese, os bispos já percebiam o aumento do número de voluntários neste trabalho inclusivo, além da organização e da presença de organismos e movimentos representativos. Os bispos, naquela ocasião, buscaram a superação de ideias preconceituosas e de atitudes que dificultam o protagonismo social e eclesial. Também apontaram para a importância da família como parte fundamental na primeira experiência de comunidade das pessoas com deficiência.
“Esta catequese supõe uma preparação específica dos catequistas, pois cada necessidade diferente exige uma pedagogia adequada”, afirmaram os bispos reunidos na 43ª Assembleia Geral da CNBB. Uma indicação foi para contar com o apoio de profissionais, como médicos, fonoaudiólogos, professores, fisioterapeutas, psicólogos e intérpretes em língua de sinais “sem que se perca o objetivo da catequese”.
Mais recentemente, com novo impulso a uma catequese catecumenal, o episcopado brasileiro aprovou o Documento 107 da CNBB, que também propõe um caminho de acolhida à pessoa com deficiência, por meio da escuta e da compreensão de sua realidade. O texto orienta que não deve ocorrer a formação de grupos apenas com pessoas com deficiência, “pois o melhor para elas e para a comunidades é estarem incluídas nos grupos existentes”.
A comunidade paroquial também deve estar preparada neste processo, de acordo com o documento da CNBB, considerando questões referentes “a acessibilidade atitudinal, comunicacional, arquitetônica, à locomoção, à adaptação do mobiliário” a fim de garantir o bem-estar de todos, especialmente das pessoas com deficiência.
As indicações dos bispos motivaram a fonoaudióloga Francielly Guimarães de Oliveira Lippel a se aprofundar na temática da catequese inclusiva. Com 14 anos de experiência, atendendo pessoas com deficiência auditiva em suas diversas classificações, a profissional buscou se especializar em uma pós-graduação em Iniciação a vida cristã, pela . Seu trabalho na catequese e o Documento 107 da CNBB a incentivara a mostrar um olhar diferenciado para as pessoas com deficiência. Assim, ela propôs como título de seu trabalho de conclusão de curso “Catequese inclusiva a serviço da Iniciação à Vida Cristã: um novo olhar para as pessoas com deficiência auditiva”.
“É necessário acolhermos todas as pessoas em suas diversidades e suas deficiências. Para isso é necessário estudo, dedicação por parte do clero e de toda comunidade que estará à frente deste projeto. É necessário entender a forma de comunicação, para que se possa anunciar o Cristo Jesus que a IVC propõe”, comenta.
Francielly é catequista há 20 anos e tem percebido a necessidade de acolhida: “Em diversas situações as crianças e ou jovens com algum tipo de deficiência foram a mim destinados. Sempre é necessário encontrar a forma como se comunicar com essas pessoas para que a evangelização, o querigma, seja anunciado de forma mística”.
E este tem sido um dos trabalhos de inúmeros catequistas Brasil afora: encontrar métodos para o anúncio às pessoas com deficiência.
Em Cascavel, Angelita Cunha aplica atividades que convidam seus catequizandos a manusear materiais confeccionados por ela e a interagir com outros catequizandos sem deficiência. “A catequese acontece de uma maneira tranquila e de fácil compreensão para todos os com deficiência e os sem deficiência. O segredo é amor e acolhimento, o resto acontece naturalmente”, conta.
Como frutos, ela partilha a conclusão da preparação para o Crisma de uma jovem com paralisia cerebral. Outros quatro catequizandos fizeram a Primeira Eucaristia: dois com TDAH, um com paralisia cerebral e outro autista.

No Rio de Janeiro, também são vários relatos e imagens que registram o ápice do trabalho com crianças e jovens que podem participar dos sacramentos, principalmente a Eucaristia e a Unção do Crisma.
Fonte: http://www.cnbb.org.br/iniciativas-promovem-catequese-voltada-para-pessoas-com-deficiencia-em-varias-partes-do-brasil/